Móveis e asfalto

Novembro 2, 2009 por Odahara

trupe

Sessão fotográfica na cidade de Bauru, SP, no meio da avenida e da madrugada.

Madrugada com aquela sensação de que você está fazendo a coisa certa, na hora certa, com as pessoas certas. Até a polícia chegar e não ser capaz de compreender a importância que aquele momento representava. Pegamos as coisas, viramos a esquina e fotografamos mais.

 

Muse – Uprising

Hikikomori conjugal

Novembro 2, 2009 por Odahara

Hoje a pessoa que eu amo me disse que tem medo do momento em que eu não a ame mais. Ouvi isso e achei absurdo. Não sei lidar com insegurança, principalmente de outros, e menos ainda de alguém tão especial assim pra mim.  Já faz um tempo que tentei tomar distância de qualquer sentimento de apego, prezo pela segurança emocional e pelo bom desenvolvimento daquilo que é certo, o que, convenhamos, não se enquadra em nenhuma situação de relação humana. Emocionalmente somos fracos. Raríssimo encontrar alguém que pelos pais tenha sido instruído a suportar decepções, a aceitar a rejeição de outro ser humano, a apresentar honestamente seus sentimentos ao mundo, saber dosar a realidade do sonho. Não, o educar emocional é complicado demais. A tarefa dos educadores se limita a coordenação de movimentos físicos básicos e à memorização da tabuada. Como então se preparar para esse mundo de relações humanas? O abecedário e as aulas de língua portuguesa não funcionam. O que conta aqui é o domino da língua da representação, da exposição e do acolhimento.

“Quando entro na sala devo cumprimentar todos os presentes? Mas como? Um aceno de mão é rude, talvez um aperto. Um beijo na bochecha das mulheres? Mas só encostando bochecha/bochecha, se não já é nojento. Mas nunca conversei com aqueles dois no canto. Parecem não gostar de mim. Vou passar reto. Pioro a situação? Eu devia falar alguma coisa. “oi”? “boa noite”? “e ae”? Droga, meu ex está na sala.  Ele já me notou também. E não veio me cumprimentar. Será que ele está esperando eu ir lá? Não, ele me viu primeiro. Eu acho. Situacão chata. “

É esse tipo de pensamento que me faz entender perfeitamente o último curta do Filme TOKYO! do Gondry e cia. e o comportamento dos hikikomori, pessoas que desistiram completamente da vida em sociedade e passam a viver sozinhas dentro de casa. Até que ponto as relações humanas são essenciais? A frase final de A Natureza selvagem sempre me vem a cabeça quando penso em relações humanas: Não existe felicidade verdadeira se não compartilhada com alguém. Acredito nisso também. A partir de tudo isso, cada vez mais acredito que todos só se submetem a essa loucura de relações para, no fim, acharem uma única pessoa que sacie o compartilhamento da felicidade. Não porque amamos só uma pessoa, (concordo com woodstock, o amor está em todo lugar) mas porque precisamos de alguém que compartilhe a vida conosco. Pelo menos uma pessoa. E não é tão mais fácil lidar com os sentimentos de um do que de 5? A vida conjugal é também um hikikomori, uma desistencia da vida em sociedade, mas dessa vez com alguém que consiga suprir o nosso mínimo de necessidade social ao menor custo.

 

Garoou na Augusta.

Outubro 26, 2009 por Odahara

Ontem, em um restaurante japonês perdido na imensidão gastronômica paulistana, fui lembrado das palavras que aqui um dia escrevi. Engraçado a habilidade que tenho de esquecer de coisas que um dia me foram extremamente importantes e reconfortantes. É o caso desse blog. Fui atingido pelo vasto e incalculável alcance da internet. Resumindo, meus pais leram minhas palavras que foram descobertas ao acaso pelo colega de república do meu irmão. Juntando essa série de acontecimentos com o filme que vi ontem na 33o. Mostra internacional de cinema de São Paulo, Julie & Julia, fui obrigado a voltar a escrever. Percebi que sou feito de meios de expressão, o cilco de input/output é, para mim, essencial. É assim que consigo me relacionar e fazer parte do mundo, ou seja, acumulando informações, audiovisuais, escritas e táteis e transformando em interpretação expressional. Projetando, desenhando, escrevendo, musicando. Num mundo em que a informação está disponivel numa simples googlelizada, o que interessa são as conexões que fazemos com ela, e o modo como as interpretamos, logo, escrever aqui é uma das coisas que me faz crer que faço parte do mundo.

Essa semana começou em São Paulo a mostra internacional de cinema. Considero uma das épocas do ano mais inspiradoras e agradáveis. É extasiante a atmosfera da capital, salas de cinema lotadas, gente interessante e papo agradável na fila cheia de ansiedade pelo filme que vai começar, a escolha da poltrona ao entrar na sala, regada pelo desejo de encontrar a melhor posição possível para ser atingido pelas primeiras imagens da tela. Sentar nos cafés ou bares da paulista entre uma sessão e outra, embriagado com a sessão anterior e ansioso pela próxima. Essa semana é uma das razões pelas quais amo a minha cidade e não querer ficar longe da garoa. Porque ontem, ao sair da última sessão da noite, uma hora da manhã subindo a Rua Augusta, garoou. Na minha cidade.

PS:  Saldo do dia de ontem: Julie & Julia, The Soloist, Taking Woodstock.

Muse – Uprising

Feeling good

Junho 19, 2009 por Odahara

Its a new dawn
Its a new day
Its a new life
For me
And Im feeling good

Ontem o dia foi ótimo. O dia é bom quando respeita as nossas expectativas, e é ótimo quando as supera. Comecei o dia com o esperado e programado. Ouvi e obedeci meu despertador, que ontem cantou cedo. Mozart. Ele estava de bom humor, ou talvez arrependido de ter berrado Julliete and the Licks na manhã anterior. Logo, eu cantarolando, fui a universidade passar o dia na biblioteca. O dia inteiro sentado na cadeira de madeira com estofado de couro, encarando meus cadernos e computador e me presenteando a cada meia hora de foco em Gestão de design, 15 minutos de planejamento da viagem de Julho.

Foi então, as 5 da tarde que recebo a notícia da minha amiga australiana: “Tonight there’s something going on at Mercado negro. some kind of concert.. its called bossa nova I guess..”. Pronto. Foi suficiente para me motivar a estudar as últimas 2 horas que tinha planejado e ir para casa, esperando o programa da noite. Após 15 minutos de caminhada, e um café no meu bar preferido, espero ansiosamente a perfomance. No entanto não era exatamente um show de Bossa.. era uma reinterpretação de um encontro entre Vinícius de Moraes e uma famosa cantora de Fado português. Foi inesperado, mas ao mesmo tempo proporcionalmente emocionante. Perdi o controle no fado composto por Vinícius chamado “Saudade do Brasil em Portugal”.

Depois, numa conversa regada de opiniões divergentes, entre brasileiros, portugueses e cerveja, me dei conta de onde estive esses 5 meses. Como Vinícius, todos ali eramos brasileiros com saudades do Brasil em Portugal. Fiquei feliz, muito feliz.

Algumas horas depois, recebo um telefonema de uma amiga tcheca, dizendo que aquela noite era sua festa de despedida. Fomos todos. E lá já estavam mais muitos “todos”. Éramos muitos, numa república tcheca, abrigando gente de pelo menos 20 nacionalidades diferentes, que, em frente à polícia batendo na porta as 2 da manhã, mandando todos irem embora, parecia que falávamos todos a mesma língua. A língua do “finge que não entende”. Naquele momento ninguém falava portugues, ingles, e principalmente, ninguem falava a lingua dos policiais. E, quietos, ouvindo com ar de ignorância, seguimos todos para o centro, com garrafas na mão e vontade de se perder na noite portuguesa. Era 3 e meia da manhã quando me via junto a brasileiros, portugueses, italianos, espanhóis e polacos, dançando a uma trilha sonora mais do que cool. Descobri depois que eram os “los hermanos de portugal”.  Preciso perguntar ainda o nome da banda. E, meia hora depois foi a hora de aproveitar a carona, num carro cheio de culturas, alcool e ao som de um ingles pronunciado de modo embriagado que voltei para casa. Feliz. Porque tive um dia que superou minhas expectativas. Logo, ótimo.

Feeling Good – Michael Bublé

A mudança

Maio 18, 2009 por Odahara

Eu mudei.

Lendo antigas palavras minhas, percebi que estou num intenso e longo processo de mudança. E creio que essa constatação seja uma das coisas que mais me faça feliz sobre mim mesmo. A habilidade de mudar é o que mais prezo em alguém. O grau de humildade, capacidade de assimilação de idéias novas, recepção e digestão de princípios e quebra de conceitos pré estabelecidos que a mudança envolve, é incrível. Claro que também sei que a direção para qual alguém “muda” não necessariamente é a melhor possível. Mas se o indivíduo mudou pelos princípios corretos do ato, que seria tentar evoluir, achar um lugar em que se sentiria melhor, ou que faria outras pessoas se sentirem melhor, e tudo isso com a mente o mais aberta possível, creio que não tem problema algum. a direção para a qual se dirigiu, se tratando de um indivíduo mutável, pode ser alterada no futuro. E isso é o que mais me fascina na metamorfose da mente.

Minha mudança, especificamente, se refere à escala com que vejo o mundo agora. Meu mundo aumentou. Muito. Minha sede por conhecimento e cultura foi instigada de uma maneira nada sutil, acordando instintos que são extremamente importantes para o auto-conhecimento e para a profissão que escolhi seguir ha 3 anos atrás. Aprendi também a amar e a ser amado, conseguindo ver o amor agora na sua melhor forma, pura e simultaneamente real. Sem idealizações mas que potencializa toda a minha vida. Mudei, e estou extremamente feliz agora, como não conseguiria explicar. E em razão disso, estou apavorado com a mudança que vem a seguir. É tão cômodo parar e estagnar-se quando se está feliz. Mas como disse anteriormente, a habilidade de mudar é uma dádiva, e obrigo-me a incorpora-la na minha vida. Logo, quando eu tiver que mudar, o fato de eu ter sido extremamente feliz antes, é só uma razão a mais para seguir tentando ser mais feliz do que já fui. Esse é o princípio da mudança.

Falta

Abril 1, 2009 por Odahara

Preciso de um porto seguro, um colo, um abraço familiar. É incrível como venho me sentindo perdido durante os últimos dias. O mundo está me engolindo, e eu não tenho controle algum sobre isso. Minha vontade era de desligar o planeta da tomada e retomar a minha vida. A noite não tenho mais sono, mas sim exaustão. Cansei de pensar, pesquisar, hipotetizar, sonhar, planejar. Quando que o mundo ficou assim tão complicado e eu não percebi?

Hoje de manhã, quando caminhava em direção à faculdade, e estava mergulhado, afogado num turbilhão de preocupações, fui atingido por uma cena que me fez querer esquecer de tudo, voltar pro Brasil e deitar no colo  maternal. Duas crianças no banco de trás do carro, dormindo deitadas, cada uma com a cabeça apoiada em uma porta, com a cara virada para o pé da outra. Lembrei da infancia, eu e meu irmao, quando ainda cabíamos estendidos no banco de trás do carro, e dormíamos, sem preocupação nenhuma. Senti falta. Muita.

apaixonante.

Março 8, 2009 por Odahara

Não me reconheço.

Já se passou um mês nesse continente distante. E passada a euforia de fazer amigos que tenho certeza que ficarão pra sempre na memória, me sinto perdido de mim mesmo. Procuro a todo instante algo que me lembre as pessoas que fazem parte de mim na terra tupiniquim. Não pensei que a falta e a saudade fossem me atormentar tanto. Sinto falta de Bauru. muito. Percebo agora quanto me apeguei aquela cidade com o clima insuportavel, mas que abriga tantos amigos verdadeiros.

Maldito sentimentalismo que me atormenta nesse fim de semana. Sou contra isso. procuro na frieza e na racionalidade, abrigo contra a sofridão. mas me vejo, nesse fds especificamente, como vítima dos sentimentos.

Saudades de expressar todos os meus sentimentos em portugues. Agora vejo como a minha língua é rica e cheia de paixão. O ingles pode ser internacional, mas o portugues é apaixonante.

Brasil…

Mundo

Fevereiro 18, 2009 por Odahara

Não estou conseguindo expressar aqui em palavras o que estou vivendo. Mas é absurdo como me sinto feliz e completo. Encontrarei palavras logo.

Me achei no Mundo.

brainstorm

Fevereiro 10, 2009 por Odahara

Não sei por onde começar a falar sobre as dezenas de primeiras impressões que tive aqui em Portugal. Mas vamos lá. acho que frases curtas, como um brainstorm é mais fácil. Todos os carros param onde estiverem se um pedestre quiser atravessar a rua. As pessoas são muito parecidas no mundo inteiro. Viva o inglês. Sistema de aquecimento é uma coisa muito importante. O pessoal da europa oriental bebe mesmo. Internet wireless é uma coisa incrível e devia ter no Brasil inteiro. Carros compactos, compactos mesmo, são o máximo. O Brasil é um país extremamente grande, logo, sua populaçºao está espalhada pelo mundo inteiro. Vamos dominar o mundo. São Paulo tem muita gente.

Temas para próximos posts com mais tempo.

Só música brasileira. aiai

Curiosidade e Teimosia

Fevereiro 4, 2009 por Odahara

É isso aí!

Mais três dias para aproveitar o sol, o calor e a querida garoa! Com visto e coração em mãos fecho minhas malas. Assim, uma ansiedade incrível, daquela que nos faz sentir extremamente vivos e atuantes no mundo vai me dominando.

É incrível como o novo me faz bem, o desconhecido. Buscando a onisciência, momentos como esse, de mergulho no diferente, me fazem extremamente feliz. Felicidade essa que acho ser consequência de uma anterior decepção com o contato com a realidade. Para aqueles que desejam conhecer cada detalhe da vida, sempre chega o momento em que são forçados a encarar o real. Quando percebem que é impossível conhecer tudo já produzido pelas nossas mentes pensantes, considerando o limitado tempo da presença física humana e do acúmulo histórico da nossa espécie na Terra, o baque é forte. E esses seres dominados pela curiosidade são divididos em dois grupos. Um, dominado pela depressão, e esmagado psicologicamente pela imensa carga cultural acumulada durante a nossa existência, desistem, e vivem baseados na segurança do conhecido. E o segundo grupo, que é caracterizado pela curiosidade e pela teimosia.

Tendo em demasia essas duas características, sei que não conseguirei ler todos os livros já escritos, ver todos os filmes já produzidos e ser atingido por cada cena filmada. Estou longe de ouvir todas as sequências de notas que completariam momentos importantes na minha vida. Não conseguirei estar em cada canto de terra do mundo e tampouco conhecerei todas as pessoas que me mudariam significativamente. Tenho certeza que morrerei sem plena satisfação com o mundo. Mas o que me move, o que me deixa absurdamente empolgado com a vida é conhecer. Diminuir ao máximo a lista do desconhecido.

LCD Soundsystem – Sound of Silver