Its a new dawn
Its a new day
Its a new life
For me
And Im feeling good
Ontem o dia foi ótimo. O dia é bom quando respeita as nossas expectativas, e é ótimo quando as supera. Comecei o dia com o esperado e programado. Ouvi e obedeci meu despertador, que ontem cantou cedo. Mozart. Ele estava de bom humor, ou talvez arrependido de ter berrado Julliete and the Licks na manhã anterior. Logo, eu cantarolando, fui a universidade passar o dia na biblioteca. O dia inteiro sentado na cadeira de madeira com estofado de couro, encarando meus cadernos e computador e me presenteando a cada meia hora de foco em Gestão de design, 15 minutos de planejamento da viagem de Julho.
Foi então, as 5 da tarde que recebo a notícia da minha amiga australiana: “Tonight there’s something going on at Mercado negro. some kind of concert.. its called bossa nova I guess..”. Pronto. Foi suficiente para me motivar a estudar as últimas 2 horas que tinha planejado e ir para casa, esperando o programa da noite. Após 15 minutos de caminhada, e um café no meu bar preferido, espero ansiosamente a perfomance. No entanto não era exatamente um show de Bossa.. era uma reinterpretação de um encontro entre Vinícius de Moraes e uma famosa cantora de Fado português. Foi inesperado, mas ao mesmo tempo proporcionalmente emocionante. Perdi o controle no fado composto por Vinícius chamado “Saudade do Brasil em Portugal”.
Depois, numa conversa regada de opiniões divergentes, entre brasileiros, portugueses e cerveja, me dei conta de onde estive esses 5 meses. Como Vinícius, todos ali eramos brasileiros com saudades do Brasil em Portugal. Fiquei feliz, muito feliz.
Algumas horas depois, recebo um telefonema de uma amiga tcheca, dizendo que aquela noite era sua festa de despedida. Fomos todos. E lá já estavam mais muitos “todos”. Éramos muitos, numa república tcheca, abrigando gente de pelo menos 20 nacionalidades diferentes, que, em frente à polícia batendo na porta as 2 da manhã, mandando todos irem embora, parecia que falávamos todos a mesma língua. A língua do “finge que não entende”. Naquele momento ninguém falava portugues, ingles, e principalmente, ninguem falava a lingua dos policiais. E, quietos, ouvindo com ar de ignorância, seguimos todos para o centro, com garrafas na mão e vontade de se perder na noite portuguesa. Era 3 e meia da manhã quando me via junto a brasileiros, portugueses, italianos, espanhóis e polacos, dançando a uma trilha sonora mais do que cool. Descobri depois que eram os “los hermanos de portugal”. Preciso perguntar ainda o nome da banda. E, meia hora depois foi a hora de aproveitar a carona, num carro cheio de culturas, alcool e ao som de um ingles pronunciado de modo embriagado que voltei para casa. Feliz. Porque tive um dia que superou minhas expectativas. Logo, ótimo.
Feeling Good – Michael Bublé